Data: 13/03/2017

Fox Highline 1.6 16V

Por: Amintas Vidal e Licináira Barroso

Quando a Volkswagen lançou o Fox em 2003, o Gol já era um veterano com 23 anos e líder de mercado na maior parte deste tempo. Na época houve quem especulasse que o novo modelo substituiria o queridinho do Brasil, mas essa não era a intenção da montadora, mesmo porque, não se mexe em time que está ganhando.

Apesar de líder, o Gol sempre foi um carro pequeno por dentro e de ergonomia ruim, mesmo já estando em sua chamada “Geração IV”. A Chevrolet, com o Corsa de segunda geração, e, principalmente, a Fiat com o Uno e o Palio, apresentavam soluções mais modernas em aproveitamento de espaço e ergonomia, conceito de carro pequeno por fora e espaçoso por dentro.

Sem a responsabilidade de substituir o Gol, os engenheiros da VW puderam desenvolver um projeto mais elaborado e fiel a este conceito que, não por acaso, foi o mote publicitário do Fox. Na época, a então “modelo de pernas mais longas do Brasil”, Ana Hickmann, foi a garota propaganda. Ao celular ela se recusava participar de um comercial de carro compacto alegando que nem caberia no mesmo: “só de perna eu tenho um metro e vinte, não dá”. Nessa sequência ela está saindo de uma loja acompanhada de três amigas e todas entram em um Fox vermelho, no qual ela assume a direção. O locutor em off diz: “Novo VW Fox, compacto para quem vê, gigante para quem anda”.

De fato, o espaço interno do Fox é muito bom. O aproveitamento do espaço vertical foi levado tão a sério que, nas primeiras vezes a bordo, estranha-se a posição muito assentada e alta nos bancos da frente. Por outro lado, foi isso que encantou seu público, principalmente as mulheres que, além de seguras pela ótima visibilidade e por ficarem mais altas em relação aos outros carros compactos, contam com uma gaveta sob o banco do motorista para guardarem suas bolsas.

Inicialmente seu interior era simples demais, poucos instrumentos agrupados em um pequeno painel esférico e nem tampa no porta-luvas ele tinha, mesmos assim, pelo seu design externo atual e conceito ergonômico, foi posicionado entre os outros dois hatchs compactos, o Gol, modelo de entrada e o Polo, o compacto Premium da marca. Em 2009 ele sofreu uma reestilização que o deixou mais moderno por fora e ganhou um painel de verdade com instrumentos grandes e diversos, assim como o esperado porta-luvas com tampa.

A última reestilização ocorreu em 2014 quando seu design assumiu linhas parecidas com o primo rico, o Golf. Tanto nos faróis e grades da frente como nas lanternas que passaram a invadir a tampa do porta-malas pela primeira vez, é possível ver alguns traços do segundo carro mais famoso da marca. No interior outro elemento do Golf que já invadiu toda a linha da montadora: o volante. A nova central multimídia com espelhamento para smartphone foi outra novidade muito bem vinda. Mas a melhor de todas estava embaixo do capô: o novíssimo motor Total Flex 1.6 16V de 120 cv, adotado apenas na versão top de linha Highline.

Pois bem, de lá para cá, foram lançadas as linhas 2016 e 2017 sem nenhuma mudança no visual, apenas com melhorias no pacote de equipamentos. Entretanto, nós, do AUTOPISTA, estávamos sedentos em fazer uma avaliação mais completa no Fox de 120 cv – não que estivéssemos reclamando dos testes feitos no Campo de Provas da Goodyear (https://autopista.com.br/vw-lanca-o-novo-fox-ou-seria-um-mini-golf/), que, por sinal, foi muuuuuuito bom! Mas, para quem tem gasolina e etanol nas veias (sim, também somos Total Flex), faltava o teste de longa duração!

E, finalmente, ele aconteceu! Recebemos a versão topo de linha, Highline, equipada com câmbio de seis marchas, e, durante um mês, submetemos o carro às mais diversas situações: desde viagens com a família, até compras de supermercado, enfrentando chuvas, buracos, morros e tudo mais que um carro se submete no dia-a-dia das ruas e estradas brasileiras.

MELHOR EQUILÍBRIO

Não restam dúvidas, de que, em toda a história do Volkswagen Fox, as versões com motor Total Flex 1.6 de 120 cv e câmbio manual de seis marchas são as que entregam o melhor equilíbrio entre desempenho e economia. Lembrando que além da Highline, a versão Pepper e o CrossFox também dispõem do mesmo trem de força.

E um dos segredos está na construção do propulsor! Trata-se de um 4 cilindros em linha, montado em posição transversal, com comando duplo de válvulas, 4 válvulas por cilindro, sendo que as de admissão tem abertura variável. Este conjunto é ligado ao virabrequim por correia dentada de alta durabilidade com troca prevista para 120 mil quilômetros ou 10 anos, o que ocorrer primeiro. Bloco e cabeçote feitos em alumínio e coletor de admissão em plástico injetado são duas inovações entre outras tantas que permitiram o aumento de potência e redução de consumo quando comparado com o 1.6 de 8 válvulas, o EA-111 disponível para as demais versões do Fox.

PRAZER AO VOLANTE

A potência chega à máxima de 120 cv a 5.750 rpm, quando abastecido com etanol (e 110 cv com gasolina). Já o torque (força) é de 15,8 kgfm com gasolina e 16,8 kgfm com etanol, ambos a 4.000 giros.

O câmbio manual de 6 marchas se destaca por ter as primeiras marchas mais reduzidas e a sexta bem longa. O desempenho é muito bom em todas as fachas de rotação, pois 85% do torque está disponível aos baixos 2.000 rpm.

O escalonamento das marchas propicia uma condução linear, sem “buracos” entre elas e o motor não se mostra áspero nem quando o ponteiro do conta-giros aproxima-se da faixa vermelha de rotação.

Aos 110 km/h e de sexta marcha ela gira aos 2.600 rpm e, aliado a um eficiente isolamento acústico, garante silêncio a bordo.

Outro ganho das novas tecnologias deste propulsor foi em economia. Rodando dentro dos limites de velocidade em estradas foi possível atingir 17 km/l com gasolina. Já o consumo urbano ficou próximo aos 10 km/l, variando tanto para mais como para menos dependendo da região em que circulamos e da intensidade do tráfico.

PEQUENO GRANDE CARRO

Apesar de veterano, o Fox ainda tem qualidades apresentadas em modelos mais modernos. A principal é o bom espaço interno, a boa visibilidade e a facilidade em manobrar, agora ajudada pela adoção de direção com assistência elétrica que substitui a antiga hidráulica.

Por ter a carroceria mais alta seu interior acomoda bem pessoas de maior estatura sem que suas cabeças fiquem muito próximas ou mesmo encostando no teto. Por sua posição vertical de assentar, sobra bom espaço para as pernas dos ocupantes.

Mas nem tudo são flores. Ele é mais estreito que os compactos atuais como Onix, HB20 e Ka, os líderes do mercado. Isso facilita estacionar em vagas estreitas, mas para três pessoas no banco de trás, é aperto na certa.

Janelas generosas e grandes retrovisores ajudam na visibilidade lateral. As colunas traseiras grossas como em quase todos os modelos da marca e o pequeno vidro da tampa do porta-malas, limitam o campo de visão para trás. O “tilt down”, recurso que baixa o espelho retrovisor direito quando se engata a marcha ré, ajuda na hora da baliza e é um equipamento de série desta versão.

SEGURANÇA ACIMA DE TUDO

Apesar de alto e estreito o Fox é muito estável em curvas e sua carroceria mal inclina. Como não existe mágica, principalmente em suspensões, ela é firme e transfere um pouco as irregularidades do piso, mas trabalha sem ruídos e é mais confortável que o esperado para modelos altos como ele.

Os pneus largos (195 /50 /R16) e novamente a carroceria alta causam algum ruído em velocidades acima dos 100 km/h, mas, o já elogiado isolamento acústico deixa o interior silencioso.

Com 50 litros de capacidade no tanque sua autonomia é muito boa e o porta-malas de apenas 270 litros também tem aproveitamento na vertical. Para compensar, o banco traseiro conta com um sistema de deslocamento horizontal que aumenta o espaço de bagagem para até 353 litros, ótima opção quando não há passageiros atrás.

Por R$ 59.790, a verão Highline do Fox vem bem recheada. Além dos equipamentos citados acima ela trás ar-condicionado, computador de bordo, vidros travas e retrovisores elétricos, alarme acionado por chave tipo canivete, os obrigatórios duplo airbag e ABS com controle de tração, sistema multimídia com espelhamento de celular, rodas de liga-leve de 15 polegadas, entre muitos outros.

COMPACTO PREMIUM

Depois que o Polo deixou de ser o compacto Premium da VW, coube ao Fox ocupar este segmento de alguma maneira. Como seu projeto não foi alterado radicalmente, é na extensa lista de opcionais que ele tenta encarar modelos da categoria como o Peugeot 208, Citroen C3, Ford New Fiesta e o descontinuado Fiat Punto.

Em opções de aparência e tecnologia, ele não deixa a desejar. É possível equipa-lo com 4 pacotes: o primeiro (R$ 3.982) acrescenta teto solar, bancos em couro, rodas aro 16 polegadas e volante multifuncional revestido em couro, entre outros.  O segundo (R$1.533) trás controle de estabilidade, sistema de retenção para arrancada em inclinações e sistema que direciona o farol de neblina em curvas. O terceiro (R$ 699) é apenas a câmera de ré. O quarto e mais caro (R$ 4.179) trás como principal opcional o mesmo sistema multimídia do Golf que, além de espelhar o celular, possui navegador por GPS. Os sensores crepuscular e de chuva, espelho retrovisor interno eletrocrômico e o controlador automático de velocidade, são outros destaques deste último pacote.

Equipado como o modelo que testamos o preço do Fox Highline chega aos impressionantes R$ 70.143, menos de R$ 5.000 abaixo do preço do Golf TSI 1.0. Além de maior, contar com todos estes equipamentos e mais 5 airbags, o Golf tem nota muito superior nos testes de impacto e projeto muito mais moderno.

Porém, para quem quer um carro compacto, com ótimo desempenho e ainda econômico, mas não faz questão de muita tecnologia, a versão Highline básica atende com praticamente tudo que seus concorrentes oferecem.

NOVO DE VERDADE

Apesar de aparentar ser um “Mini Golf”, o Fox ainda usa a antiga plataforma PQ24, que o acompanha desde o seu lançamento. Mas em um futuro bem próximo, espera-se que o Fox passe não apenas a se assemelhar com o primo rico, como também, a usar a mesma plataforma MQB! Sim, senhoras e senhores, a PQ24 será substituída pela MQB, provavelmente, em 2018! E juntamente com a nova plataforma, o Fox receberá traços mais sofisticados, com vincos mais acentuados no capô, novos faróis, grade e para-choques. Vai ficar um luxo! Quem viver, verá!

 

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